Mudanças Climáticas podem alterar o papel da Floresta Amazônica

Autor: Marco Follador, PhD | mfollador@waycarbon.com

Artigo publicado na revista Nature da semana passada (volume 506, número  7486) questiona a capacidade da floresta amazônica capturar e estocar CO2 através da fotossíntese.  A pesquisa demonstra como as incertezas ocasionadas pelas mudanças climáticas podem promover a alteração do papel do pulmão verde do planeta na mitigação das emissões dos gases de efeito estufa (GEE).

A Amazônia, que estoca uma enorme quantidade de carbono no solo e na biomassa vegetal, vem conhecendo com crescente frequência, anomalias climáticas que determinam períodos de estiagem cada vez mais longos. O estudo publicado na revista Nature revela como a floresta atua como reservatório de carbono durante o período úmido,  capturando em média 0.25+-0.14 Pg C/yr (petagramas, 1015 g, de carbono por ano), o que confirma os dados de referência estimados por pesquisas anteriores. Mas evidencia, também, como essa situação muda durante a estação seca. O processo fotossintético acaba inibido durante os períodos de estiagem, diminuindo o fluxo de carbono entre atmosfera e a vegetação (chamado de net biome exchange). O estudo conclui que devido às Mudanças Climáticas, a floresta conseguirá neutralizar a suas emissões (0.06+-0.1 Pg C/yr), porém, não será capaz de capturar o CO2 emitido por outras fontes.

A partir dos dados observados, o  estudo conclui que o nível de umidade possui um papel fundamental no balanço de carbono da Floresta Amazônica. As mudanças climáticas vão, com muita probabilidade,  aumentar as anomalias no volume de precipitações, com estiagens mais longas e consequentemente menor net biome exchange. Essa capacidade reduzida de estocar carbono, juntamente com a crescente frequência de incêndios na floresta (devido, principalmente, à expansão das fronteiras agropecuárias) podem mudar o papel da Amazônia no sistema de mitigação de gases de efeito estufa, transformando-a numa fonte de emissão de CO2.

Para saber mais detalhes sobre o estudo, acesse http://www.nature.com/nature/current_issue.html

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