Inventário de GEE: quando planilhas já não são suficientes

Um inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) é uma ferramenta de gestão ambiental que permite a identificação de fontes e sumidouros e a contabilização das respectivas emissões e remoções de gases de efeito estufa de uma organização. Assim, o inventário de GEE permite traçar um perfil climático, identificar fontes chave de emissão e a contribuição de cada empresa para o aumento da concentração desses gases na atmosfera.

Inventário de GEE: padrões internacionais

A elaboração de um inventário de GEE segue padrões internacionais, como a ISO 14.064 e o Protocolo GHG Brasil, e demanda atenção especial, já que a confiabilidade dos resultados é fundamental para uma gestão sólida de emissões e para a elaboração de estratégias de mitigação. Ademais, os Estados de São Paulo (CETESB) e do Rio de Janeiro (INEA) tornaram legais a obrigatoriedade de quantificação das emissões por meio de inventários de GEE. Portanto, as etapas de elaboração de um inventário de GEE devem ser cuidadosamente planejadas e executadas para não comprometer a qualidade do trabalho final.

O desafio da produção

Para quem tem um bom domínio de informática e facilidade com números é mais do que natural realizar a quantificação por meio de planilhas. Entretanto, o desafio e a motivação inicial acabam se transformando em frustrações e insegurança. O volume de dados demanda atenção redobrada e a rastreabilidade destas informações acaba se perdendo ao longo do caminho. Versões de planilhas se confundem e, muitas vezes tarde demais, são identificados erros e lacunas de informações. Os processos de auditoria e verificação extrapolam o esforço inicialmente planejado e a conclusão do trabalho é comemorada como cruzar a linha de chegada ao final de uma maratona: um misto de dever cumprido e de excesso de consumo de recursos.

Como planilhas já não são suficientes para quantificar as emissões de gases de efeito estufa de algumas empresas deve-se buscar maneiras estruturadas para desenvolver o trabalho com segurança. Neste contexto,  softwares de gestão de GEE vêm sendo desenvolvidos e lançados no mercado. Tais sistemas possuem inúmeros benefícios, dentre os quais destaco:

1. Coleta das informações

Identificado como um dos principais obstáculos na elaboração de um inventário de emissões de GEE, a coleta das informações é o principal pilar de um bom inventário. Um software de gestão de GEE capaz de automatizar essa etapa, coletando as informações de sistemas de gestão (ERP) ou importando de outros bancos de dados já utilizados nas empresas, reduz esforços e minimiza erros. Para uma boa coleta de informações é necessário também a identificação e associação de um responsável para cada fonte de emissão.

2. Rastreabilidade das informações

De modo a garantir transparência e acuidade do inventário é imprescindível que os dados de entrada sejam rastreáveis. Deve-se, no mínimo, garantir a origem do dado e do responsável pelo seu fornecimento. Adicionalmente, dados podem ser associados a equipamentos de medição específicos com variados níveis de incertezas ou a fontes de informação pouco robustas que devem ser gerenciadas e melhoradas ao longo do tempo. Uma boa rastreabilidade de informações reduz custos e otimiza o trabalho de verificação por terceira parte.

3. Monitoramento das emissões de GEE

Um software de gestão de GEE permite o monitoramento das emissões em tempo real, embasando assim a adoção de um plano de mitigação daquelas emissões que, por ventura, extrapolem o planejado. Na elaboração de inventários convencionais, o tomador de decisão ficará ciente do perfil de emissões da organização apenas na conclusão do inventário, normalmente após 12 meses. Resultados anuais impossibilitam uma gestão pró-ativa das emissões.

4. Análises e Relatórios

A geração de resultados e relatórios para análises a qualquer momento é uma funcionalidade primordial de um software de gestão de GEE. Tais análises possibilitam maior assertividade ao gestor no estabelecimento de métricas e na definição de prioridades, reduzindo assim o risco organizacional. Além do mais, relatórios podem ser customizados de acordo com programas como GHG Protocol, CDPGRI, dentre outros, otimizando a comunicação com o mercado e o reporte organizacional com as demais partes interessadas.

Finalmente, gosto de reforçar um ponto pessoal. Nossas vidas profissionais estão cada vez mais atarefadas, as áreas de meio ambiente e sustentabilidade precisam lidar como uma miríade de temas e compromissos, obrigações legais e com investidores, respostas a partes interessadas e participação em programas voluntários. Em outras palavras, temos coisas mais importantes para fazer do que nos preocuparmos com gestão de planilhas e dados dispersos, erros de cálculo e dados atrasados. A utilização de softwares permite que nosso tempo seja investido no que é de fato importante: a gestão. Resultados podem ser avaliados e discutidos, planos de ação formulados e metas atingidas. Para quem insiste em trabalhar com longas e complexas planilhas isso pode parecer um objetivo ainda distante. Minha experiência com softwares de gestão de emissão demonstram o contrário e, honestamente, não sinto falta de minhas velhas planilhas.

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