COP 21: as palavras dos líderes

A Conferência do Clima (COP 21)  teve sua abertura no dia 30 de novembro, com a presença de mais de 150 chefes de Estado. Diferentemente de outras edições, os líderes e representantes dos países discursaram no início do evento e não em sua cerimônia de encerramento. Tal postura pode vir a reforçar o papel da COP 21 como um território de ação e de mudanças, como já se espera há muito tempo. A expectativa compartilhada por seus dirigentes e por muitos dos que acompanham a Conferência é de que dela saia um novo e efetivo acordo climático global.

Os dirigentes da COP 21: engajamento e urgência

Como ocorre tradicionalmente, o evento teve início com os discursos do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do Presidente da COP 21, Laurent Fabius, Ministro de Relações Exteriores da França. Também discursaram François Hollande, Presidente do país anfitrião da Conferência, e a Secretária-Executiva da Convenção das Nações Unidas sobre o Clima (UNFCCC), Christiana Figueres. Em todas as falas foi enfatizada a importância desta edição da Conferência do Clima para a implementação de um modelo de desenvolvimento de baixo carbono para o planeta.

Ban Ki-Moon ressaltou que a reunião de tantos líderes políticos em torno de uma causa comum, a do combate às mudanças do clima, é um bom começo, mas que “precisamos ir muito mais além e depressa se quisermos limitar a elevação da temperatura global abaixo dos 2oC”. Christiana Figueres, por sua vez, lembrou que 2015 representa um ano de transformação para a agenda do clima, em que se percebe o engajamento e a ousadia na direção das ações. Para ela, porém, a tarefa não chegou ao fim: “Cabe a vocês capturar esse progresso e traçar um caminho sem equívoco adiante, com um destino claro, com marcos determinados e um prazo previsível que responda às demandas da ciência e a urgência do desafio”, disse Figueres.

Acordo legalmente vinculante? O peso da negociação

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos (EUA) e Dilma Rousseff, presidente do Brasil, foram dois dos chefes de Estado que discursaram na abertura do evento. Em sua fala, a Presidente ressaltou a importância de se construir um acordo legalmente vinculante – isto é, que determine compromissos obrigatórios por parte de seus signatários. Embora, num outro momento, o presidente dos Estados Unidos também tenha defendido a inclusão de mecanismos legalmente vinculantes no acordo que será negociado em Paris, esse elemento não esteve presente no discurso feito por Obama na abertura da Conferência.

Ainda assim, os discursos feitos na abertura da COP 21  foram marcados pelo reconhecimento da gravidade dos efeitos das mudanças climáticas e da importância de que as ações em prol da mitigação das emissões globais  sejam tomadas de forma imediata e coordenada. A defesa de princípios norteadores da UNFCCC, como o das responsabilidades comuns porém diferenciadas, também fez parte do repertório dos chefes de Estado presentes.  Segundo esse princípio, a proteção ao sistema climático global, embora seja de responsabilidade de todas as nações, deve levar em conta a contribuição histórica das diferentes economias para a mudança do clima, resultado das emissões atmosféricas de gases de efeito estufa.

Um caminho de conquistas

De fato, o caminho traçado até Paris tem sido marcado por conquistas importantes nos últimos meses, como a publicação da encíclica  “Laudato Si” pelo Papa Francisco e o anúncio de iniciativas ambientais audaciosas adotadas pelos dois maiores emissores de gases de efeito estufa – a China e os Estados Unidos. A COP21 é a culminação desse processo, e a presença de tantos líderes mundiais no primeiro dia da conferência contribuiu para que todos os holofotes se voltassem para a temática da mudança global do clima. O que se espera, a partir de agora, é que os resultados das negociações que se seguirão nos próximos dias reflitam a ambição e o senso de urgência expressos nos discursos de nossos líderes.

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