Guia WayCarbon: o que é um Inventário de Gases de Efeito Estufa?

Se você já visitou o nosso Blog anteriormente, já deve ter visto inúmeras menções ao Inventário de Gases de Efeito Estufa ou Inventário de GEE.

E não só aqui. Com a efervescência da temática do Aquecimento Global e das Mudanças Climáticas na mídia, além do desenvolvimento de maior consciência ambiental por parte das empresas e da sociedade, cada vez mais os Inventários de GEE têm sido vistos como mecanismos-chave para pensar ações de sustentabilidade relacionadas ao clima.

Você sabe como funciona essa poderosa ferramenta? Conhece seus benefícios e características? Domina as etapas de desenvolvimento de um Inventário de GEE?! Vamos fazer uma contextualização sobre todas essas questões no post de hoje. Continue acompanhando!

Inventário de Gases de Efeito Estufa – definição

Um Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa permite o mapeamento das fontes de emissão de GEE de uma atividade, processo, organização, setor econômico, cidade, estado ou até mesmo de um país, seguida da quantificação, monitoramento e registro dessas emissões. gases de efeito estufa

Se realizado periodicamente, um Inventário de GEE torna-se uma ferramenta de gestão de gases, possibilitando conhecer o perfil das emissões de GEE da entidade inventariante. Geralmente, os Inventários de GEE corporativos são realizados com recortes temporais anuais, facilitando o seu planejamento e a sua comparabilidade. Em empresas que possuem um sistema de gestão e monitoramento de emissões de gases de efeito estufa, os resultados podem ser obtidos com maior frequência, normalmente em recortes semanais ou mensais. Um monitoramento mais frequente de emissões é fundamental para o acompanhamento de metas e de avaliação da performance dos investimentos em equipamentos, tecnologias e processos de baixa emissão.

Fontes e Sumidouros

Uma fonte de emissão pode ser entendida como um equipamento, ou processo, no qual ocorre a liberação de um ou mais GEE para a atmosfera. São exemplo de fonte de emissão: motores de combustão interna, equipamentos que consomem eletricidade, caldeiras, entre outros.

Além disso, os inventários também podem contabilizar as remoções de gases de efeito estufa. Um sumidouro de remoção, em oposição a uma fonte de emissão, é um equipamento ou processo no qual ocorre o sequestro do carbono. Sumidouros são, em sua maioria, originados em processos biológicos, como a fotossíntese. Entretanto, podem ocorrer também por meio de equipamentos e aplicações tecnológicas, como os sistemas de Captura e Estoque de Carbono, do inglês Carbon Capture and Storage (CCS).

O Protocolo de Kyoto regula seis gases de efeito estufa que são controlados pelos Inventários de GEE. Destes, os mais comuns são: CO2 (Dióxido de Carbono), CH4 (Metano), N2O (Óxido Nitroso). Além desses, ainda temos o SF6 (Hexafluorido de Enxofre) e dois grupos de gases de efeito estufa denominados HFC (Hidrofluorcarbonos) e os PFC (Perfluorcarbonos).

Conheça também ‘as principais ferramentas de avaliação de impactos ambientais’ para as empresas

Benefícios da elaboração de Inventários de GEE

O Inventário de GEE possibilita quantificar as emissões de GEE e avaliar o impacto dos esforços de mitigação das emissões de gases de efeito estufa conduzidos pela organização. De forma prática, fornece informações fundamentais para que sejam priorizadas atividades e elaboradas estratégias mais eficientes para inserção da empresa na economia de baixo carbono.

Além de adquirir conhecimento sobre os métodos de cálculo, publicação, divulgação de emissões e gerenciamento do impacto climático, fazer um Inventário de GEE proporciona outras possibilidades a uma organização, dentre as quais podemos destacar:

  • Antecipação à futura legislação ou regulamentação setorial sobre as mudanças climáticas;
  • Avaliação de riscos e oportunidades;
  • Figuração como case de benchmarking para o setor;
  • Melhora no relacionamento com os stakeholders;
  • Promoção de reconhecimento de mercado e vantagem competitiva;
  • Identificação das oportunidades de melhorias na eficiência operacional e, consequentemente, para a redução nos custos;
  • Possibilidade de participação no mercado de carbono; e
  • Possibilidade de compensação das emissões de GEE.

Como elaborar um inventário de GEE – visão geral

Principais Referências

Para a elaboração de um inventário de GEE é necessário seguir protocolos e normas disponíveis para a sua compilação. Atualmente, a norma mais utilizada é o Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol), que é compatível com a ISO 14.064. O GHG Protocol foi adaptado para o nosso contexto nacional, surgindo o Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHGP). Para fins de métodos de quantificação, a referência mais importante é o IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories.

Os Inventários de GEE também são passíveis de verificação por terceiros. Essa medida tem o objetivo de atestar a acuidade e a qualidade dos dados apresentados, assegurando uma avaliação do quantitativo de emissões de gases de efeito estufa da organização. Para tal, o PBGHGP publicou as Especificações de Verificação do Programa Brasileiro GHG Protocol definindo os requisitos para auditorias e verificações de Inventários de GEE.

Conceitos Básicos

De maneira geral, as normas definem os requisitos mínimos de um Inventário de GEE como, por exemplo, o estabelecimento de um ano-base, a definição dos limites operacionais e organizacional, a exclusão de fontes e sumidouros, entre outros. As normas também definem fronteiras de responsabilidade sobre as emissões de GEE, empregando um conceito que é muito importante na realização de Inventários de GEE, o de Escopo de Emissão. Para tanto, fontes e sumidouros de gases de efeito estufa são caracterizadas em emissões diretas ou indiretas. As três categorias adotadas pelo GHG Protocol e pela ISO 14.064 são:

escopos de emissão

  • Escopo 1: Emissões diretas de GEE provenientes de fontes que pertencem ou são controladas pela organização.
  • Escopo 2: Emissões indiretas de GEE provenientes da aquisição de energia elétrica ou térmica que é consumida pela organização.
  • Escopo 3: Outras emissões indiretas de GEE. São consequência das atividades da organização, mas ocorrem em fontes que não pertencem ou não são controladas por ela.

Quantificando Emissões

Após a identificação e categorização é necessário coletar as informações relativas a cada fonte e sumidouro. Dados como consumo de combustível, de energia elétrica, área desmatada, uso de fertilizantes, são utilizados para a quantificação. Assim, para calcular as emissões, basicamente, basta multiplicar os dados das fontes pelos fatores de emissão. Os fatores de emissão são fatores que relacionam os dados das atividades com as emissões ou remoções de GEE, ou seja, eles convertem, por exemplo, o consumo de energia em MW/h em toneladas de GEE. Após o cálculo por tipo de gás, é preciso normalizar as emissões em uma unidade padrão, empregando o Potencial de Aquecimento Global, do inglês Global Warming Potential (GWP). O GWP permite a comparação entre as forças radiativas dos gases de efeito estufa. Desta forma, toda emissão pode ser reportada em tonelada de CO2e (equivalente).

Apesar de simples, o entendimento a respeito dos Inventários de Gases de Efeito Estufa ainda é baixo, mesmo entre profissionais da área ambiental e de sustentabilidade. A sua produção é uma atividade minuciosa, que exige atenção e atualização por parte de seus realizadores. Por isso, divida conosco nos comentários as suas dúvidas e questionamentos.

Aproveite e leia também o nosso post “Inventários de GEE: quando planilhas não são suficientes” e entenda as principais limitações da elaboração dos Inventários de GEE.

mudanças climáticas

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