Economia de Baixo Carbono: 5 passos para chegarmos lá!

Economia de baixo carbono: o que é?

A economia de baixo carbono é uma economia que pretende reduzir os impactos sobre o meio ambiente, gerando emprego e desenvolvimento. Em especial, busca reduzir drasticamente as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), ampliar a produção e o consumo de energias limpas e atingir ganhos de eficiência energética e produtiva. A construção da competitividade das empresas em uma economia de baixo carbono se encontra no uso racional dos recursos naturais, na renovabilidade da matriz energética e na circularidade da produção. Portanto, no centro da economia de baixo carbono está a inovação dos processos produtivos e as soluções tecnológicas capazes de reduzir os impactos sobre o planeta.

Algumas empresas vêm integrando estes aspectos em suas estratégias corporativas, adotando medidas eficazes para reduzir as emissões de CO2. Por exemplo, uma iniciativa global chamada We Mean Business agrega atualmente 757 empresas que se comprometeram a agir para reduzir as suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) por meio de ações tangíveis e da comunicação dos resultados alcançados.

 

economia de baixo carbono

 

Internacionalmente, um importante passo para consolidar uma economia de baixo carbono foi o Tratado de Paris, firmado em 2016 durante a 21ª Conferência das Partes (COP 21) da UNFCCC, em que líderes mundiais definiram o objetivo de reduzir as emissões de GEE para limitar o aquecimento global em 2ºC. Países como Austrália, Nova Zelândia e alguns integrantes da União Europeia são protagonistas na transição para uma economia de baixo carbono. O Brasil, país detentor de uma grande biodiversidade e reconhecido por gerar a maior parte de sua energia através de fontes renováveis, também possui um papel importante na construção dessa economia.

Os resultados da transição para uma economia de baixo carbono já começam a ser observados. Apenas nos Estados Unidos, o setor de energias renováveis vem criando empregos 12x mais rápido que os demais setores da economia segundo estudo da Environmental Defense Fund (EDF). No mundo, o setor de energias renováveis empregou em 2016 8,1 milhões de profissionais. Os países com o maior número de empregos no setor são China, Brasil, os Estados Unidos, Índia, Japão e Alemanha. Na base desse crescimento está o rápido declínio dos custos de geração da energia solar fotovoltaica e eólica.

Apesar dos obstáculos, construir uma economia em que os impactos sobre o meio ambiente sejam menores é possível. Conseguimos listar cinco passos importantes para que as empresas possam contribuir para uma economia de baixo carbono, saiba quais são eles:

 

1. Tecnologias limpas e energias renováveis

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Tecnologias limpas, também chamadas Clean Tech, permitem ganhos de eficiência, trocas de combustíveis e, em alguns casos, a substituição completa de processos emissores. Por exemplo, na indústria brasileira sistemas de automação, sensoriamento e robótica (Indústria 4.0) têm potencial de ganhos de eficiência energética entre 10% e 25% sem demandar elevados investimentos de capital ou alterações de processo. Ainda, sistemas eficientes de combustão, sistemas de recuperação de calor, tecnologias de recuperação de vapor e fornos mais eficientes têm grande potencial de redução de emissão na indústria e apresentam ganhos de redução de custo e segurança operacional.

Além das tecnologias limpas, as fontes renováveis de energia são fundamentais para alcançarmos a estabilização dos níveis de GEE na atmosfera. O Brasil é líder na produção de eletricidade de fontes renováveis e na bioenergia, em especial o etanol. Fontes renováveis não convencionais, como eólica e solar, vem ampliando sua participação rapidamente devido, principalmente, a redução de custos destas fontes. Entre 2010 e 2015, a geração eólica apresentou queda de 30% nos custos de geração e a solar 65% de redução, segundo a Agência Internacional de Energia. Até 2021, espera-se uma redução de custo adicional de 15% em sistemas eólicos e de 25% em sistemas fotovoltaicos.   

Já a bioenergia, um tipo de energia renovável produzida a partir de biomassa, também apresenta grande potencial na economia de baixo carbono. O etanol (álcool), que é produzido a partir da cana-de-açúcar, e o biodiesel, que vem de sementes oleaginosas, como a soja e mamona e da gordura animal, são exemplos de biocombustíveis. No Brasil, a geração de eletricidade a partir de resíduos de biomassa, como o bagaço da cana-de-açúcar, também é uma fonte importante de geração renovável de energia.

Atualmente, a demanda por novas opções energéticas é notável. Considerando a crescente restrição para uso das reservas de petróleo, recurso não renovável, e a necessidade de reduzir as emissões dos GEE, a bioenergia pode se tornar a grande fonte de energia alternativa do planeta.

 

2. Produção circular

Outra tendência importante na economia de baixo carbono é a produção circular. Popularmente chamada de economia circular, o conceito envolve a reutilização de resíduos, de gases e de energia fechando o circuito produtivo na indústria. Aplicar conceitos de produção circular implica em menor consumo de recursos naturais e na maior eficiência dos processos, com consequente redução de custo e dos impactos ambientais.

Por exemplo, uma avaliação da Fundação Ellen Macarthur estima que, na Europa, sistemas produtivos circulares deverão faturar EUR 1,8 trilhões até 2030 em comparação a receitas de EUR 900 bilhões em uma economia linear. Há, no Brasil, um grande mercado a ser explorado, uma vez que apenas 2% dos resíduos retornam à cadeia produtiva.

 

3. Eficiência no Transporte

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O Setor de Transporte é o que mais cresce em emissões no Brasil. O aumento da frota de veículos leves e a demanda logística para o transporte de carga continuarão se expandindo, o que demandará sistemas de transporte mais eficientes. O setor possui tradição rodoviária no Brasil, o que implica em um grande desafio para usos de meios de transporte mais eficientes, como o ferroviário e o aquaviário.

 

Por um lado, a tecnologia flex-fuel está presente em 88% da frota de veículos leves permitindo que o maior consumo de biocombustíveis contribua para reduções de emissão. Contudo, em uma economia de baixo carbono, o setor de transporte precisará ampliar o uso de modais de transporte mais eficientes. Por exemplo, o transporte de carga por ferrovias emite 2,9 vezes menos por tonelada transportada em comparação ao transporte rodoviário.

Outra tendência importante para o setor é a eletrificação. Em veículos leves, a eletrificação permite maior eficiência energética e o uso de uma energia mais limpa, principalmente no Brasil. Para o transporte de carga o impacto também é importante, por exemplo, a eletrificação de ferrovias pode reduzir o consumo energético entre 19% e 33%.

 

4. Reflorestamento

As florestas são elementos fundamentais na economia de baixo carbono. Atualmente, grande parte das emissões mundiais, e a maior parcela das emissões de GEE do Brasil, tem origem no desmatamento e na degradação das florestas. Além do impacto climático, a perda da cobertura florestal implica em outros danos ao meio ambiente, como a erosão, a redução da biodiversidade, alterações no microclima e nos sistemas hidrológicos. O controle do desmatamento é um desafio importante para a economia de baixo carbono. Apenas na Floresta Amazônica brasileira, houve aumento de 29% na taxa de desmatamento entre 2015 e 2016.

Entre os compromissos do Brasil no Acordo de Paris está o reflorestamento e restauro de 12 milhões de ha. O crescimento da vegetação incorpora carbono nos troncos, galhos, folhas e raízes das plantas, realizando o que chamamos de sequestro de carbono. Esse processo aumenta a absorção de CO2 da atmosfera, o que o torna essencial para o combate ao aquecimento global. Para termos uma ideia da importância do reflorestamento, de acordo com um estudo feito pelo Instituto Totum e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), é estimado que cada árvore da Mata Atlântica absorva 163,14 kg de gás carbônico (CO2) durante seus primeiros 20 anos de vida.

A ampliação da área de florestas permite também o desenvolvimento de atividades econômicas de base florestal. Avanços tecnológicos têm permitido o uso de biomassa para a produção de biomateriais, bioquímicos, bioresinas e a ampliação do uso energético de biomassa sólida. Por exemplo, a Europa observou uma expansão de 45% no mercado de bioplásticos. Estima-se que mercado global de produtos químicos de origem biológica atinja EUR 515 bilhões nos próximos 5 anos.

5. Valoração do carbono e dos serviços ecossistêmicos

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Outra forma de combater as mudanças climáticas é ampliar os mecanismos de valorização econômica do carbono e dos serviços ecossistêmicos. A valoração dos ativos ambientais, como o carbono e a biodiversidade, permite que as empresas considerem estes ativos em sua tomada de decisão. Um preço de carbono, por exemplo, permite que empresas avaliem potenciais custos e receitas de carbono associados a um investimento.

Na economia de baixo carbono, instrumentos de precificação são amplamente adotado por governos e empresas. Atualmente, 40 jurisdições (países, estados e províncias) adotam um preço de carbono e mais de 750 empresas utilizam um preço interno de carbono para tomar decisões de investimento.

Falamos sobre isso no post Guia de Precificação de Carbono: o que o setor empresarial precisa saber. Clique aqui para saber mais.

Já a valorização dos serviços sistêmicos está relacionada a mecanismos de pagamento pelos serviços ecossistêmicos de diversos biomas, que estabelecem um valor para os bens e serviços que nós obtemos diretamente ou indiretamente dos ecossistemas, como água, preservação do solo, polinização feita pelas abelhas e preservação da biodiversidade.  Os sistemas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) permitem que quem preserva e garante tais serviços naturais possa receber uma remuneração por isso. No Brasil, o Programa Produtor de Água do Governo Federal, possui mais de 20 projetos ativos de PSA, impactando 1.200 proprietários rurais e cobrindo uma área de mais de 40 mil ha.

A transição para uma economia de baixo carbono permitirá a preservação dos sistemas naturais e humanos para as próximas gerações. Diferentemente do que muitos pensam, a economia de baixo carbono não trata apenas da preservação do planeta, mas também da criação de oportunidades econômicas para a atuação do setor privado. A tendência de descarbonização das economias é clara e muitos países já se mobilizaram em prol da criação de medidas capazes de reduzir os impactos gerados pelos GEE, incluindo o Brasil.

Esperamos que você tenha entendido tudo sobre a economia de baixo carbono. Ficou alguma dúvida? Comente a baixo.

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