Perda das coberturas de gelo é acelerada pela mudança do clima

Perda das coberturas de gelo é acelerada pela mudança do clima

coberturas de gelo

Coberturas de gelo

A Agência Espacial Norte Americana (NASA) divulgou no dia 26 de Agosto de 2015 novos dados sobre a redução das coberturas de gelo nas duas calotas da Terra: Groenlândia e Antártica. A perda das coberturas de gelo nas regiões mais ao norte e mais ao sul do planeta está acelerando, informam os pesquisadores, e é responsável pelo aumento do nível do mar em 7 cm desde 1992.

Continue lendo para descobrir como a mudança do clima acelera perda das coberturas de gelo no planeta.

Groenlândia

A cobertura de gelo da Groenlândia representa, aproximadamente, 1,7 milhões de km2, uma área equivalente ao Alasca. O gelo chega a atingir 3 km de espessura em algumas regiões.

Desde 2004, a região perdeu 303 bilhões de toneladas de gelo anualmente segundo os dados da NASA. Ainda mais preocupante, os dados apontam que as perdas aumentaram 31 bilhões de toneladas por ano, em todos os anos da séria. O video abaixo mostra a dinâmica do gelo na região. A cor azul aponta as áreas que ganharam coberturas de gelo e cor vermelha as áreas que perderam coberturas de gelo.

Antártica

Cobrindo 14 milhões de km2, a Antártica é aproximadamente 8 vezes maior que a Groenlândia. O continente também está perdendo sua cobertura permanente de gelo, contudo, em taxas menores que as observadas no norte do planeta. Na média, a Antártica perdeu 118 bilhões de toneladas de gelo por ano desde 2004. Como pode ser observado no video abaixo, a maior perda da cobertura de gelo é observada na região oeste. Desde 2004, a perda das coberturas de gelo na região vem acelerando em 28 bilhões de toneladas por ano. Segundo a NASA, a principal causa da perda de gelo é o aumento da temperatura da água. Tal efeito é responsável por processos erosivos que quebram os glaciares soltando grandes massas de gelo no oceano.

A tecnologia empregada

O estudo só pode ser realizado graça ao Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE). Um par de satélites que orbita os polos da Terra medindo alterações de massa no solo e na água, calculando as diferenças no campo gravitacional do planeta a cada 30 dias. A tecnologia é uma aliada poderosa no entendimento dos efeitos da mudança climática. Por exemplo, identificou-se que efeitos diferentes são responsáveis pela perda das coberturas de gelo na região norte e sul do planeta. Se na Antártica a perda é ocasionada pelo aumento da temperatura da água, na Groenlândia o efeito é ocasionado pelo aumento da temperatura do ar. Para aprofundar este entendimento, a agência está lançando um novo projeto de três anos denominado Oceans Melting Greenland (OMG) para melhor entender as interações entre temperatura do ar e da água na perda da cobertura de gelo nesta região.

Aumento do Nível do Mar

Na medida que o gelo derrete o nível do mar aumenta. Assim, temos um efeito de causalidade que é reversa, ampliando as consequências: na medida que o gelo derrete e a água do mar expande pelo aumento da temperatura, acaba causando mais aumento do nível do mar e contribuindo para uma perda mais acelerada da cobertura de gelo.

A NASA mede detalhadamente a variação do nível do mar desde 1992. Um conjunto de satélites e de sensores no mar (3.000 sensores na ARGO network) permitiram aos cientistas entender melhor a dinâmica de alteração do nível do mar. Globalmente, o nível do mar aumentou 19 cm desde o início do século XX, 7,4 cm nos últimos 20 anos.

Devemos observar, também, que este aumento não é homogêneo. Outros fatores como correntes oceânicas e ciclos naturais, como o El Niño, também contribuem para as alterações de nível do mar observadas. Entretanto, a NASA prevê que as perdas das coberturas de gelo devem se sobrepor sobre estes ciclos naturais, tornando-se o fator mais relevante para a alteração do nível do mar.

Você sabe como o aumento do nível do mar poderá afetar as cidades brasileiras? Deixe seus comentários!

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