O setor elétrico no centro da mudança do clima

As perspectivas da mudança do clima têm imposto desafios aos agentes envolvidos no financiamento, implantação e operação de projetos de infraestrutura. Diante da crescente incerteza em relação ao comportamento das variáveis climáticas e dos riscos associados, o que pode ser feito para garantir a confiabilidade operacional de um ativo e a sustentabilidade de um modelo de negócio? 

Essa pergunta vem sendo feita, de forma cada vez mais enfática, aos líderes à frente de empresas pertencentes aos mais diversos setores da economia. No setor elétrico, cujas atividades possuem interface direta com aspectos climáticos, a resposta a essa pergunta tem se tornando cada vez mais relevante no âmbito da estratégia corporativa.  

Como se estrutura o Setor Elétrico Brasileiro? 

O Setor Elétrico Brasileiro é dividido em quatro segmentos: 

  • Geração: composto pelos agentes que operam as usinas hidrelétricas, térmicas, eólicas e solares que geram eletricidade; 
  • Transmissão: composto pelos agentes que operam linhas de transmissão, responsáveis por conduzir a eletricidade gerada nas usinas até às redes de distribuição; 
  • Distribuição: composto pelos agentes que operam as redes de distribuição, direcionando a eletricidade das linhas de transmissão para os consumidores finais; 
  •  Comercialização: composto pelas empresas que compram eletricidade dos geradores e a revendem aos Consumidores  Livres¹.

Os quatro segmentos do setor elétrico

Os quatro segmentos do setor elétrico

Fonte: Modificado a partir de Abradee²

Com exceção do segmento de comercialização, que possui uma natureza mais associada à prestação de serviço, o desenvolvimento das atividades típicas do setor elétrico envolve investimentos intensivos em capital. Em função da necessidade de dispêndio de elevado montante financeiro antes do início da fase de operação do negócio, investimentos no setor elétrico requerem longos períodos de retorno ou amortização.  

O investimento em uma usina, linha de transmissão ou rede de distribuição é remunerado pelo recurso financeiro obtido a partir da prestação de serviço durante a vida útil do ativo. O atendimento a parâmetros de qualidade determinados e fiscalizados pela Aneel, agência reguladora do setor, é importante para evitar multas e outros tipos de penalizações que podem reduzir a receita da empresa responsável. 

As interfaces entre o clima e a operação de ativos do setor elétrico 

Para operarem adequadamente, os ativos segmentos de geração, transmissão e distribuição dependem, direta ou indiretamente, variáveis ambientais sujeitas à influência do clima. Por exemplo:  

  • Vendavais causados por mudanças bruscas da temperatura atmosférica podem demandar a interrupção da operação de parques eólicos e até mesmo provocar danos aos aerogeradores; 
  • Secas meteorológicas aumentam a chance de ocorrência de incêndios florestais, que podem causar o desligamento de linhas de transmissão; 
  • Tempestades com descargas elétricas e ventos fortes podem danificar equipamentos das redes de distribuição, causando interrupção do fornecimento de eletricidade aos consumidores.

     

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Imagens ilustrativas: Freepik

Diante do crescente número de evidências que indicam que a mudança do clima está ocorrendo em um ritmo cada vez mais acelerado, conhecer e antecipar os fenômenos que provocarão alterações nos padrões ambientais que influenciam a operação de ativos do setor elétrico torna-se cada vez mais relevante para os agentes do setor. Se um ativo deixa de operar da forma para a qual ele foi projetado, a expectativa de retorno do investimento será frustrada, pois a receita esperada daquele investimento não se materializará dentro do prazo originalmente previsto.  

Análise de Riscos para o setor elétrico 

A WayCarbon desenvolve projetos que elucidam os riscos aos quais ativos do setor elétrico estão expostos. Para atingir nossos objetivos e contribuir para a sustentabilidade das atividades do setor elétrico, desenvolvemos dois tipos de análises:  

Análises Quantitativas 

Tela da plataforma MOVE. (Imagem: Acervo WayCarbon)

As análises quantitativas baseiam-se em modelagem climática de última geração desenvolvida a partir do MOVE®, plataforma computacional integrada desenvolvida pela WayCarbon que utiliza dados espaciais e estatísticos para avaliar os riscos associados às mudanças do clima em múltiplas escalas e em diferentes cenários climáticos. Os resultados gerados pelo MOVE® possibilitam a identificação de tendências climáticas que poderão alterar o comportamento de variáveis ambientais relevantes para empreendimentos do setor elétrico. Por exemplo, se os modelos indicam que uma bacia hidrográfica tem alta probabilidade de apresentar cenários de escassez hídrica no futuro, uma análise de investimento em uma eventual hidrelétrica neste local deverá levar em conta este risco. 

Análises Qualitativas

As análises qualitativas focam-se em condições de mercado, desenvolvimento de tecnologias, avanços na regulação setorial e aspectos reputacionais e têm o objetivo de identificar tendências que possam interferir na atividade de uma empresa do setor elétrico. Por exemplo, a Precificação de Carbono é uma prática que vem sendo crescentemente adotada ao redor do mundo. Qual o impacto seria o impacto da adoção de mecanismo semelhante no Brasil para uma empresa que possui usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis como o gás natural? Buscamos responder estes tipos de indagações.

Mapa resumo de iniciativas de precificação de carbono regionais, nacionais e subnacionais implementadas ou em estudo. Atualmente, existem 64 iniciativas de Precificação de Carbono implementadas no mundo.

Os resultados dessas análises e as recomendações que delas derivam fornecem elementos para que as empresas do setor elétrico se antecipem aos impactos relacionados à mudança do clima e planejem medidas de adaptação a um mundo em transição. Por outro lado, possuímos equipes prontas para ajudar as empresas a reduzirem seus impactos sobre o clima. Assim, contribuímos para construção de um setor elétrico mais resiliente à mudança do clima e, portanto, mais previsível para operadores e investidores.

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