Roda de conversa: Mudanças Climáticas

Autor: Patricia Perez | pperez@waycarbon.com |

Na última quinta-feira, 8 de maio, participamos da Roda De Conversa sobre Mudanças Climáticas, organizada pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), na cidade de São Paulo.  O evento destacou o que se pode esperar da COP 21 em Paris, no prόximo ano, e qual será o papel do Brasil neste crucial episόdio para mitigaҫão e adapataҫão às mudanҫas climáticas. Possivelmente, nessa ocasião, se indicarão novas diretrizes de reduҫões de emissões apόs 2020, a nível global. A roda contou com a exposiҫão de importantes especialistas na área, como Carlos Rittl, Secretário-Executivo do Observatório do Clima, Eduardo Viola, Professor Titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, José Goldemberg, Doutor em física e Ex-Ministro das Pastas de Ciência, Tecnologia e Meio ambiente, Marina Silva, Ex-Senadora e candidata a Vice-Presidência da República (aliança PSB-REDE-PPS-PPL), Luiz Gylvan Meira Filho, Ex-Co-Presidente e Vice-Presidente do Grupo de Trabalho Científico do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), e Roberto Kishinami, previamente Diretor Executivo do Greenpeace e Consultor da AES Eletropaulo.

Foto 3 2014-05-14 18.14.36 (Roberto Kishinami, José Goldemberg, Eduardo Viola e Carlos Rittl durante a roda de conversa)

Segundo os especialistas, o que se espera para a COP 21 são acordos ambiciosos e realmente vinculantes em termos de compromissos de reduções de emissões. O objetivo principal dessas medidas seria manter o limite de aumento de temperatura global em 2 graus, a fim de se evitar consequências mais severas advindas das mudanças do clima no planeta. Acordos de reduҫão de emissões continuarão dentro de uma lόgica multilateral, porém, demonstrarão características mais eficazes dentro de acordos bilaterais. O Professor Eduardo Viola afirma, por exemplo, que o Brasil pode ser decisivo co-liderando novos acordos ao se aproximar da União Europeia (UE), em um processo de mais convergência que entre Estados Unidos e UE. Segundo o professor, o Brasil pode se colocar em uma posiҫão de potência independente para promover a descarbonizaҫão entre os países, sendo seguido por outras nações e formando um “clube descarbonizante.” Prof. Viola aponta, ainda, o destaque do Brasil em políticas de combate às mudanҫas climáticas e de reduҫão das emissões de GEE, a partir de 2009. Como, por exemplo, através da diminuiҫão do desmatamento da Amazônia e da lei brasileira de mudanҫas climáticas, fazendo com que sejamos vistos como um positivo exemplo e líderes para os países em desenvolvimento, principalmente. Porém, segundo Carlos Rittl, os acordos que sairão da COP 21 precisarão colocar o Brasil num percurso de seguranҫa em termos de desenvolvimento econômico, visando adaptação às mudanҫas climáticas. Rittl assinalou o fato de que temos que sair da nossa “zona de conforto”, afirmando que “não é sό porque diminuimos nosso desmatamento, que devemos esperar que os outros países se comprometam, para (só então) diminuir ainda mais nossas emissões. Estamos atrasados em termos de desenvolvimento tecnolόgico, em energias limpas, citando, por exemplo, a energia solar, onde os custos mais caem globalmente. Portanto estamos perdendo oportunidades”. Rittl afirma que o Brasil deve comeҫar a pensar em desenvolvimento, incorporando-o de forma estratégica à lόgica das mudanҫas climáticas: “é possivel evidenciar vários eventos climáticos extremos que afetaram e ainda afetam a economia brasileira a nível regional e estadual, como as enchentes na região norte do país e a crise hídrica no estado de São Paulo. Assim como seus efeitos em seguranҫa energética e alimentar, devido ao aumento dos preҫos dos alimentos”.

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Portanto, se torna imprescindível investimentos em uma trajetόria brasileira de baixo carbono e, principalmente, na adaptação às alteraҫões extremas do clima. Para isso, debates envolvendo todos os setores da sociedade serão fundamentais, a fim de se indentificar riscos e oportunidades relacionadas às mudanҫas climáticas.

Assista a um resumo da Roda de Conversa sobre as Mudanças Climáticas:

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