Inventário de Emissões de GEE: além da conformidade legal

Autor: Camilo Terranova

Só o que é medido pode ser gerenciado, diz uma das máximas de gestão de negócios.

Uma de nossas próprias máximas é que, sob a lente de mudanças climáticas, as oportunidades para inovação (em seu sentido amplo) se revelam, permitindo que rotas que aumentem a competitividade empresarial sejam construídas, baseadas no estabelecimento de diretrizes, políticas, indicadores, metas e engajamento construtivo com as partes interessadas. O inventário de emissões de GEE é uma ferramenta poderosa de gestão ambiental e fundamental para inserir negócios na nova economia.

Para saber mais continue lendo nosso post.

Benefícios dos Inventários de Emissão de GEE

Muito além da conformidade legal, dentre os inúmeros benefícios do desenvolvimento de um inventário de emissões de GEE destaca-se a oportunidade de se identificar e executar ações de redução de custos, como, por exemplo, projetos de eficiência energética, troca de combustíveis fósseis por renováveis, gestão de emissões na cadeia de valor, tratamento de efluentes, entre outros.

Outro benefício diz respeito ao posicionamento competitivo da empresa e de seus produtos ou serviços em relação a seus pares. Ainda, é possível por meio do inventário iniciar um processo de avaliação sobre como a empresa se situa em relação aos Planos de Mitigação Setoriais Nacionais. Isso permite que a empresa haja de maneira pró-ativa sem comprometer seu bottom-line, na verdade, tal estratégia permite protegê-lo ou aumentá-lo.

Contudo, tais benefícios têm sido apropriados por poucos. Conforme apontado no relatório anual do Carbon Disclosure Project (CDP, 2013), elaborado por nossa equipe, apesar da maior dificuldade encontrada pelas empresas se concentrar no reporte das emissões do Escopo 3, metade das empresas afirma que algumas fontes de emissões dos Escopos 1 não foram incluídas. A maioria das empresas reportou um decréscimo de suas emissões absolutas e/ou relativas de Escopo 1 e 2, porém, apenas 10% vincularam essas quedas às atividades direcionadas à redução de emissões.

Boas práticas na gestão de emissões

A definição de metas de redução de emissões atinge apenas 40% das empresas respondentes, sendo que as organizações que não possuem meta apresentaram dificuldade em explicar a razão da ausência. Dentre as que não possuem metas, 55% das respostas quanto às previsões sobre as emissões nos próximos cinco anos estavam incompletas. Ademais, a utilização de auditorias de verificação apresenta números baixos, em particular nos Escopo 2 e 3, sendo esse último pouco auditado.

Metade das empresas afirma que verificou as emissões do Escopo 3, mas não anexou a declaração que comprove esta ação. Ainda, 33% dos respondentes não conseguiram mostrar se houve ou não alteração entre o ano de reporte e o ano base. Dentre tais empresas, apenas 40% conseguiram explicar as alterações e se elas estão ou não vinculadas às atividades de redução de GEE.

Enquanto o inventário é o primeiro passo para uma gestão de oportunidades, a avaliação de riscos corporativa forma a segunda etapa de uma estratégia de gestão adequada aos desafios impostos pelas mudanças do clima, bem como pelas demandas de inúmeras partes interessadas que vão além dos governos como clientes e fornecedores, passando por provedores de financiamento, acionistas e investidores.

Chama atenção que, para quase todas as empresas respondentes ao CDP, os aspectos financeiros dos riscos, tais como custo relacionado à sua gestão e potencial impacto financeiro, ainda não são claros, sendo os principais riscos reportados aqueles relacionados à conformidade e reputação (um importante aspecto do Brand). Potencialmente, esse fato aponta para a falta de integração com a estratégia de negócios, bem como a dificuldade de traduzir factualmente os riscos identificados em impactos financeiros.

E você, conhece outros benefícios de conhecer o impacto climático de uma empresa? Deixe seu comentário.

 

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