Análise de vulnerabilidade: riscos e oportunidades para as empresas

Análise de vulnerabilidade climática: riscos e oportunidades para as empresas

análise de vulnerabilidade

A mudança do clima já é uma realidade e representa uma grande ameaça às empresas de diversos setores. A alteração dos padrões de precipitação e temperatura e o aumento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos podem impactar diretamente perfis de risco das empresas e, em alguns casos, seu posicionamento estratégico.  E, embora muitas empresas já estejam desenvolvendo algum tipo de plano ou projeto de mitigação, a adaptação à mudança do clima permanece negligenciada. A análise de vulnerabilidade climática é um recurso capaz de apontar esses caminhos.

Neste contexto é importante reforçar que a adaptação é uma questão urgente e o tempo de agir é AGORA.  Mas, vamos pensar como esse cenário se reflete sobre os negócios?

O custo da mudança do clima

O World Economic Forum, que publica anualmente o Global Risk Report, identificou os eventos extremos climáticos e a falha na mitigação e adaptação à mudança do clima como de alta probabilidade e impacto, em sua última publicação (2017). Segundo dados da Munich RE (2018), entre 2010 e 2016, os desastres relacionados ao clima custaram ao mundo cerca de U$823 bilhões.

O cenário brasileiro

No Brasil, um estudo realizado por Haddad & Teixeira Santos (2013) revelou que em 749 pontos de alagamento identificados na cidade de São Paulo, as perdas anuais chegaram perto dos R$336 milhões para o município. Em escala nacional, considerando as consequências na cadeia de produção e renda, esses prejuízos chegaram a R$762 milhões. Em Santa Catarina, as chuvas de 2008 causaram um prejuízo de R$4,75 bilhões distribuídos nos setores produtivo, social e de infraestrutura (Banco Mundial, 2010).

Em 2011, as fortes chuvas causaram deslizamentos e inundações na região serrana do Rio de Janeiro, configurando o maior desastre natural já registrado no país em número de fatalidades: 900 pessoas perderam suas vidas e os danos ultrapassaram os U$460 milhões (Munich RE, 2018).

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, 2016) estima que os países da América Latina precisarão investir entre US$ 140 bilhões e US$ 300 bilhões, até 2030, e de US$ 280 bilhões a US$ 500 bilhões, até 2050, para se adaptarem à mudança do clima.

Model For Vulnerability Evaluation – MOVE

A medida que os efeitos das mudanças do clima se materializam mundialmente, os riscos e as oportunidades também vão se tornando mais evidentes. Neste sentido, compreender o quão vulnerável o seu negócio está frente à mudança do clima é o primeiro passo para elaboração de uma estratégia de adaptação, partindo do pressuposto que o preço da inação poderá ser bem mais alto do que se antecipar aos impactos potenciais esperados. Além disso, a inclusão do fator climático na gestão de risco ganha relevância como um fator crítico para a resiliência da empresa e para a competitividade dos negócios.

A WayCarbon desenvolveu o Model for Vulnerability EvaluationMOVE, uma ferramenta que integra dados de modelos climáticos para elaboração da análise de vulnerabilidade, tanto no presente quanto para o futuro, e informações dos negócios e dos setores avaliados.

Os riscos também estão acompanhados de oportunidades

A análise de vulnerabilidade climática permite avaliar, quantificar e gerenciar riscos e oportunidades para os negócios associados, sejam eles diretos ou indiretos

Como exemplos de riscos, temos: interrupção das operações, atraso nos processos de logística, danos na infraestrutura, escassez de matéria-prima e implantação de instrumentos regulatórios.

Já como oportunidades, podemos elencar: inovação, desenvolvimento de novos produtos e acesso a novos mercados específicos). Os resultados auxiliam na definição e priorização de estratégias de adaptação e tomada de decisões.

Por fim, a mudança do clima deve ser vista como uma questão de relevância estratégica para os negócios e deve ser considerada como um elemento prioritário no gerenciamento de riscos e oportunidades que envolvem, além do fator físico, a reputação das empresas, responsabilidades legais, obrigações regulatórias e impactos financeiros.

Assista ao vídeo abaixo, conheça o MOVE e descubra como a mudança do clima pode afetar o seu negócio.

 

 Resumindo: para o que serve a Análise de Vulnerabilidade Climática?

  • Identificar potenciais impactos (passados, presentes e projetados) diretos (ex. danos materiais e perdas em processos) e indiretos (ex. infraestrutura pública) relevantes ao negócio da empresa e em sua cadeia de suprimentos / produção (Impactos: biofísicos, sociais e econômicos);
  • Avaliar a vulnerabilidade climática atual, relacionada a variabilidade climática e eventos climáticos extremos e a vulnerabilidade futura relacionada à mudança do clima;
  • Identificar riscos e oportunidades associados à mudança do clima;
  • Gerenciamento de risco coorporativo e proteção do crescimento do negócio / redução da vulnerabilidade;
  • Reputação e novas oportunidades de que possam evitar desvantagem comercial;
  • Identificação, escolha e implementação de estratégias de adaptação compatíveis com as mudanças do clima (curto, médio e longo prazo);
  • Engajamento e planejamento dentro da empresa, incluindo a alta gestão, para a agenda de adaptação;
  • Contar com um parceiro com know-how para ganhar velocidade, segurança na informação e ser mais custo-eficiente neste processo;
  • Indicativos para financiamento climático para estratégias de adaptação (Global; Nacional ou dentro da própria empresa) e, para isso, é necessário entender quais são as consequências regionais da mudança do clima, uma vez que a adaptação ocorre localmente.

Algumas vantagens / benefícios desse estudo:

  • Necessidade de planejar o futuro (considerar gastos decorrentes dos possíveis impactos / economia – redução dos custos decorrente da adaptação);
  • Melhoria do posicionamento em relação à concorrência: empresas mais preparadas poderão tornar suas operações, produtos e serviços mais resilientes;
  • Responder satisfatoriamente questões de investidores e de mercado;
  • Desenvolvimento de novos produtos, mercados e serviços específicos (inovação / novas tecnologias de gestão de risco) / Ampliação da cadeia de suprimentos;
  • Aumento da competitividade / Vantagem na competitividade;
  • Consciência de que medidas tomar, onde investir, como atuar, e o que priorizar para se adaptar aos impactos de mudanças climáticas (o custo da inação é muito maior) / agir de forma proativa e não reativa;
  • Manutenção da reputação e valor da marca.

Leia também: Medidas de Adaptação: no centro do clima e dos negócios

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