Impacto da mudança do clima nos portos da região costeira do Brasil.

Impacto da mudança do clima nos portos da região costeira do Brasil.

A mudança do clima é um dos desafios mais complexos deste século, tendo em vista o seu potencial de ocorrência, a magnitude de uma série de impactos e os enormes prejuízos que ela traz não só para população e a biodiversidade, mas também, setores econômicos.

Dentre os setores que podem sofrer diretamente com os impactos causados por esse fenômeno está o setor portuário. Isso acontece por conta das particularidades de sua infraestrutura, operação ou acesso. Os portos são um ponto crítico de interseção do comércio global, por isso, tais impactos negativos poderão implicar em danos e prejuízos consideráveis, tendo em vista que aproximadamente 90% de todo o comércio mundial depende do transporte marítimo para se sustentar.

Vamos entender melhor esses potenciais impactos?

Efeitos dos eventos climáticos extremos para os portos.

Os portos estão expostos a riscos decorrentes de eventos climáticos extremos, como as fortes tempestades, as ressacas e a elevação do nível do mar. Isso acontece porque tais eventos, por sua vez, podem ocasionar mudanças no nível ou nos padrões de embarque, aumento das inundações, que afetam os movimentos nos portos e causam danos às mercadorias armazenadas e, além disso, podem ocasionar em uma menor capacidade de navegabilidade dos canais de acesso, que consequentemente levam a uma possível interrupção dos negócios.

Então, com uma possível maior frequência de eventos climáticos extremos, a área dos portos podem registrar um aumento em seus processos de assoreamento e erosão, que, por sua natureza, causam a elevação do nível da água em decorrência do acúmulo de detritos e sedimentos.

Para o setor portuária, esse processo é problemático porque pode levar à interrupção da navegação nas regiões portuárias (por motivos de segurança) e até mesmo à inundação de pátios de terminais e áreas próximas – como zonas urbanas. Além disso, esses impactos, em conjunto, representam o aumento dos custos dos complexos marítimos e afetam ainda a durabilidade e resistência das instalações e das infraestruturas portuárias frente às condições ambientais e climatológicas. 

Nesse sentido, os portos de todo o mundo estão em uma busca crescente por identificação e avaliação dos riscos climáticos que evidenciam a necessidade de elaboração de estratégias de adaptação que visam reduzir os prejuízos financeiros e operacionais decorrentes desses impactos.

Grandes complexos portuários, como os de Roterdã, na Holanda, e Nova York-Nova Jersey; Los Angeles-Long-Beac; San Francisco e Houston, nos Estados Unidos, têm estudado, na última década, os impactos que o aumento do nível do mar podem causar tanto em suas áreas portuárias como nas urbanas. E, em alguns casos, já desenvolvem planos de ação para se proteger dos impactos do fenômeno.

A importância da análise de risco climático portuária

De acordo com os dados do Anuário Estatístico produzido pela Agência Nacional de Transporte Aquaviário (ANTAQ), o setor portuário brasileiro representa cerca de 95% da corrente de comércio exterior que passa pelo país. Além disso movimenta, em média, 293 bilhões de reais anualmente, o que representa 14,2% do PIB brasileiro. Somente este setor é responsável pela geração de 120 mil empregos diretos e indiretos. Ou seja, é essencial entender os riscos que este setor corre em decorrência da mudança do clima.

Infelizmente, os conhecimentos acerca dos impactos da mudança do clima sobre as zonas costeiras brasileiras, em especial sobre seus portos, são pontuais e dispersos. A carência de dados consiste na maior dificuldade para a compreensão do nível de vulnerabilidade dos portos, relacionado a sensibilidade e a capacidade adaptativa em relação aos extremos climáticos.

No que concerne a exposição das infraestruturas portuárias aos riscos climáticos, o Programa Brasil 2040 da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE-PR) revelou que essas já se encontram expostas a impactos e reconhecem o risco dos portos brasileiros.

Para evitar as ramificações negativas extremas que a mudança do clima pode ter em um determinado local, é feita uma análise de risco climático.

Tal análise de risco climático procura compreender os riscos atuais e futuros e os potenciais impactos atrelados, bem como as capacidades existentes para enfrentar diversos problemas climáticos, tanto no presente quanto no futuro.

A avaliação desses aspectos é fundamental para a priorização de ações e realização de investimentos em adaptação e resiliência climática. Em outras palavras, ter conhecimento sobre as variáveis que possibilitem uma avaliação mais clara e específica sobre os riscos da mudança do clima no setor portuário é fundamental para auxiliar a tomada de decisão.

Como trabalhamos dentro dessa temática?

Tendo em vista a importância e a relevância do setor portuário para a economia brasileira e as incertezas existentes sobre o impacto da mudança do clima nesse setor, a WayCarbon foi contratada em Julho de 2020 para a prestação de serviços técnicos especializados pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH para o projeto “Apoio ao Brasil na Implantação da Agenda Nacional de Adaptação à Mudança do Clima – PROADAPTA”.

Este projeto atua no âmbito da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente do Brasil e a GIZ, no âmbito da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI, sigla em alemão), do Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear (BMU, sigla em alemão). O projeto PROADAPTA visa favorecer o aumento da resiliência climática do Brasil mediante apoio a processos de coordenação e cooperação entre diversos setores do governo e sociedade civil.

Neste contexto, é celebrada a parceria entre GIZ e ANTAQ, cujo objetivo é o aumento da resiliência dos portos brasileiros frente aos impactos e riscos advindos das alterações climáticas.

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