Desafios para a descarbonização do setor de saneamento

A aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei n° 14.026) que objetiva a ampliação da abrangência de coleta e tratamento de esgoto para 90% da população até o fim de 2033, lança um desafio sobre as empresas do setor: como ampliar o atendimento populacional e ainda contribuir para os esforços globais de contenção do aumento da temperatura? 

Qual é a relação entre clima e saneamento?

O tratamento adequado de esgotos desempenha um papel de extrema relevância para o Brasil, com implicações significativas no âmbito social, na saúde pública e em aspectos econômicos regionais e nacionais. Além disso, a preservação dos recursos hídricos e a prevenção da poluição dos ecossistemas aquáticos contribuem para a manutenção da biodiversidade e dos recursos naturais, beneficiando a população em longo prazo. 

Entretanto, sob a ótica de emissões de gases de efeito estufa, o tratamento do esgoto poderá resultar em mais emissões do que o lançamento inadequado em rios, lagoas ou no mar. Isso pode ocorrer porque em ambientes que possuem uma maior quantidade de oxigênio (águas mais limpas e em movimento), a degradação da matéria orgânica resultará na produção de CO2, enquanto nos tratamentos anaeróbios de efluentes, ou seja, sem oxigênio, produzirá metano, cujo potencial de retenção de calor é 28x maior do que o CO2.   

Tendo em vista que, em 2021, quase 100 milhões de habitantes (44,2% da população) não possuíam acesso à coleta de esgoto e apenas 51,2% do esgoto produzido foi tratado, a universalização do acesso ao saneamento traz o desafio ao país e empresas do setor em atingir os compromissos globais e voluntários de descarbonização. Faz-se necessário a implementação de projetos de mitigação de emissões e mudanças tecnológicas para evitar o aumento das emissões de gases de efeito estufa associadas ao processo de tratamento de esgoto – como iniciativas que proporcionem a captura do biogás, que pode ser convertido em energia para abastecimento do próprio sistema. 

Como enfrentar os desafios de descarbonização do setor de saneamento?

Frente a esse contexto, a WayCarbon desenvolveu uma abordagem estratégica e abrangente como resposta aos desafios complexos da transição para um mercado de baixo carbono, considerando as particularidades da operação de concessões do setor, tendência de expansão e alto custo de investimento de rotas tecnológicas. A solução abrange o desenho de cenários futuros de emissões, a avaliação e priorização de alternativas de descarbonização custo-efetivas, identificação de instrumentos de financiamento, bem como o estabelecimento de mecanismos internos de precificação de carbono para direcionar a tomada de decisão no sentido dos objetivos climáticos traçados.   

Entre em contato com nossos especialistas e entenda como podemos apoiar os desafios de sua empresa na jornada de descarbonização. 

Referências

Instituto Trata Brasil: ttps://tratabrasil.org.br/principais-estatisticas/esgoto/ 

Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS 2021: https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/saneamento/snis

Marco Legal do Saneamento: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14026.htm 

 

Julia Rymer
Gerente de Mitigação at WayCarbon | + posts
André Lara
Coordenador de Sustentabilidade at WayCarbon | + posts
Daniel Azevedo
Analista de Sustentabilidade at WayCarbon | + posts
Felipe Tassi
Analista de Sustentabilidade at WayCarbon | + posts
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